Relembrar Abril 1974O acaso fez com que eu tivesse tido a oportunidade de tirar algumas fotos inéditas, a preto e branco, com uma máquina fotográfica já muito usada, mas que apesar da fraca qualidade já estiveram expostas ao público.

As acções militares que as forças da Escola Prática de Artilharia realizaram, constam de documentos oficiais.
1. Antecedentes
Desde a primeira hora ligada ao Movimento das Forças Armadas, a Escola Prática de Artilharia, foi realizando durante o ano de 1973 e os primeiros meses de 1974, especialmente pelos jovens oficiais - capitães, tenentes e alferes - do quadro permanente oriundos da Academia Militar, acções que a seguir se indicam:
- Diversos contactos com outros oficiais ligados ao Movimento e à Comissão Coordenadora, através das reuniões convocadas pela referida Comissão, sendo de destacar a que foi efectuada nos arredores de Évora, no Monte Sobral, Alcáçovas, a 09 de Setembro de 1973;
- Realização de reuniões no interior da unidade, com o objectivo de mentalização e identificação, de todos, com as finalidades e os propósitos do Movimento. As reuniões dentro do quartel eram clandestinas pois era do conhecimento do Movimento, que alguns militares não iriam colaborar nem participar nas acções que estavam a ser planeadas e preparadas para derrubar o governo vigente;
A partir do momento em que foi decidido participar total e activamente, deu-se início à fase de estudo e planeamento, compreendendo os seguintes pontos principais:
- Deter o Comandante e o Segundo Comandante;
- Recrutar os Oficiais e Sargentos Milicianos;
- Organizar e preparar no aspecto táctico, técnico e logístico duas Baterias de Artilharia, uma com o material 8,8 cm e outra com o material 10,5 cm e ainda uma Bateria Motorizada de atiradores, destinadas a actuarem no exterior;
- Montar a defesa imediata (periférica) do Quartel;
- Controlo da localidade de Vendas Novas, incluindo a neutralização das autoridades locais;
Na noite 23/24 de Abril de 1974, pelo facto de residir no exterior da Escola Prática, na rua General Humberto Delgado, “ Vila Verde”, 47 - 2º Esquerdo, dois Oficiais pertencentes ao Movimento, foram recebidos em minha casa, vindos de Lisboa, dos quais me lembro do Capitão de Artilharia Veiga Vaz - que tinham como missão, entregar pessoalmente a Ordem de Operações.
De imediato e conforme o combinado previamente fui ao Quartel contactar alguns Oficiais que receberam a Ordem de Operações, procedendo-se em seguida ao seu estudo já no interior do Quartel e iniciando-se depois todas as acções com vista à organização das Forças que participaram nas operações.
De salientar que todos os movimentos preparativos eram já seguidos pela polícia secreta – PIDE/DGS - a partir da reunião realizada em Cascais, a 05 de Março de 1974, e principalmente a partir da intentona de 16 de Março de 1974, pelos militares da unidade das Caldas da Rainha, na sequência da qual foram presos e transferidos da Unidade todos os oficiais que pertenciam ao Movimento. Por esse motivo todos os telefonemas, reuniões e movimentações tinham de ser efectuados com segurança e precaução.
2. Desenrolar das acções
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