Começo por dizer que, no que respeita ao nosso caso em concreto, considero vergonhosa e lamentável a forma como Vendas Novas acabou por ser tratada pela realização deste programa.
Na 1ª parte do programa, mais técnica, ficámos a saber coisas interessantes, algumas das quais já sabíamos, outras estávamos desconfiados. Por exemplo, que o conceito de SAP é diferente do conceito de Urgências, de que trata o Relatório da Comissão Técnica. Ficámos também a saber que Os SAP irão fechar à noite, nomeadamente aqueles que assistem, em média por noite, menos de 10 pessoas. Serão substituidos por um sistema de "Consultas abertas". Acontece que ninguém sabe ainda o que são, exactamente, essas Consultas Abertas; nem como vão funcionar na realidade. E ficámos ainda a saber outra das intenções dos responsáveis pelas propostas em curso, ou seja, enquanto não fecharem, os SAP irão, mais cedo ou mais tarde, deixar de funcionar em horário nocturno ("porque não se justifica que funcionem entre a meia-noite e as 8:00h", segundo foi referido).
A 2ª parte foi de carácter mais político. Começou com uma espécie de entrevista com o Sr. Ministro da Saúde. O qual começou por dizer que é contrário à existência do conceito de SAP´s (chamou-lhe a "Sapização da Saúde"). E foi, em minha opinião, o que de mais importante ali disse. Referiu também ser sua intenção substituir os SAP por aquilo que designou "Conceito de Unidade de Saúde Familiar" (o seu objectivo nº 1 no Ministério, segundo disse). Mas deixou esse conceito sem explicação. Ficou-se por aí.
Uma das promessas que fez a si próprio, disse, foi que depois da implementação desta "Reforma das Urgências", nenhum local ficará pior e tudo pode ser discutido. Esperemos que cumpra a promessa. O programa começou aqui a não lhe correr bem, pois foi de imediato apresentado um desmentido pelo Presidente da Câmara Municipal de Chaves, que esclareceu e explicou porquê, vai ficar pior, bem pior, do que estava antes. Os argumentos que apresentou, para mim, são absolutamente viáveis e justificativos para que a respectiva urgência não seja desqualificada. No entanto, de acordo com o que propõe o Relatório da Comissão, será desqualificada.
O Sr. Ministro demonstrou aqui uma habilidade política que não lhe tem sido reconhecida, pois no fim desta argumentação conseguiu que o próprio Sr. Presidente da C.M. de Chaves aceitasse de bom grado esperar pela reunião que com ele já terá marcada. O que se passou daí até ao 2º intervalo, pouco ou nada adiantou no que respeita ao nosso caso em concreto. Talvez com a excepção da questão das Unidades de Saúde familiares a que o Sr. Ministro voltou. Bem como de uma outra sua referência, pela enésima vez no programa, ao que pensa sobre o conceito de SAP. Os quais, segundo ele, terão sido um erro em termos de política de saúde, que ao longo dos anos prejudicaram o desenvolvimento de um melhor serviço de atendimento de situações agudas e não urgentes. Enfim, já tínhamos percebido esta opinião. A qual até poderá, digo eu, ter alguma razão de ser.
A 3ª e última parte deste Prós e Contras, teve o inicio por volta da 1:10h da manhã (porque é que estes programas não são realizados mais cedo?). A expectativa era a de que se tratasse, ou melhor, se falasse do caso de Vendas Novas. Que é, nem mais nem menos, aquele que nos interessa mais directamente. É uma visão do problema um bocado egoísta, eu sei, mas é isso mesmo que se passa. É o nosso problema, aquele que nos afecta.
No entanto, esta 3ª parte foi repescar o caso de Valença. Um dos intervenientes, médico e autarca em Valença, acabou por trazer ao debate questões importantes. Como seja o facto de, com esta reforma, se deixar de lado a confiança que as pessoas têm nos seus serviços de saúde de proximidade. Esse é, de facto, um aspecto importante em toda esta problemática. Aproveitou ainda para nos esclarecer o que se passa nos Hospitais de Coimbra: em cada noite, cerca de 100 médicos de urgência atendem, em média, cerca de 50 doentes. Bonito!
E eram 1:30h quando se falou no caso de Vendas Novas. Tenho aqui que dizer o seguinte: considero a todos os níveis inaceitável que a realização do programa tenha convidado o representante máximo da nossa autarquia, e depois a apresentadora do programa diga: "tem que falar rápido, porque não estava previsto que falasse". Simplesmente, vergonhoso!
Na prática, Vendas Novas parece não ter existido na preparação e no desenvolvimento deste programa da RTP. Penso que ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas terá sido dado 1 ou 2 minutos, não mais, para apresentar a argumentação a favor da instalação de um SUB - Serviço de Urgência Básico em Vendas Novas. Dois minutos, num programa que durou quase 200 minutos (terminou às 2:25h). Isto, depois de ter sido convidado para estar presente e de ser portador da mensagem de toda uma comunidade. A todos os títulos, lamentável!
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