Eleições para a Assembleia de Freguesia de Vendas Novas
Estamos novamente à beira de eleições autárquicas. Mais propriamente, de eleições intercalares para a Assembleia de Freguesia de Vendas Novas. Será de esperar que os resultados finais sejam idênticos aos que até aqui se têm verificado? Esta é uma pergunta fácil mas de resposta difícil. Sabemos, no entanto, que até agora e em todas as eleições autárquicas para a nossa Assembleia de Freguesia, com excepção da última (em 2005), uma das forças políticas concorrentes obteve sempre a maioria absoluta.
Na verdade, em 2005 a CDU não conseguiu essa maioria absoluta por uma diferença de apenas 3 (três) votos. Dito de outra forma, com apenas mais 3 votos na CDU teria sido evitada toda aquela problemática em torno da constituição da “Junta de Freguesia”, que acabou por demonstrar a fraqueza da nossa democracia local. Essa pequena diferença dá-nos uma excelente percepção da importância que pode ter o voto de cada um dos eleitores. Ora, se assim é, então porque persiste uma tão grande abstenção em eleições autárquicas em Vendas Novas? Tentarei abordar aqui esse tema em futuros textos.
Nessas eleições de 2005 para a Assembleia de Freguesia de Vendas Novas, a CDU obteve 2581 votos (6 eleitos), o PS 1845 (5) e o PSD 1098 (2). A distribuição dos respectivos eleitos, feita de acordo com o Método de Hondt, é como a seguir se indica:

Com recurso ao mapa acima, podemos concluir que se a CDU tivesse conseguido 2584 votos (+3), teria retirado o 13º eleito ao PS e, em consequência, obteria a maioria absoluta. Apenas 3 votos fizeram toda a diferença.
Eleições para a Câmara Municipal de Vendas NovasE em relação às eleições para a Câmara Municipal, o que tem acontecido neste particular? Ao longo dos últimos 30 anos já se realizaram 9 eleições para as autarquias locais no nosso concelho. Em todas elas, sem excepção, a CDU (APU/FEPU/CDU) obteve a maioria absoluta. No entanto, a dimensão desse resultado tem-se alterado entre eleições, por vezes de forma significativa.

O gráfico acima pretende representar os votos que a CDU obteve em cada eleição, acima do mínimo que precisaria para a maioria absoluta, considerando apenas as eleições realizadas para a Câmara Municipal de Vendas Novas, entre a 1ª eleição pós-25Abril (em 1976) e a última (em 2005). Para efeitos desta análise, chamar-lhe-ei “votos neutros”, na medida em que a sua eventual não-existência não teria, na prática, alterado a constituição do órgão Câmara Municipal.
Como se pode constatar, essa diferença varia entre um mínimo de 168 (nas eleições de 2005) e 1184 (no acto eleitoral de 1989). De notar que o valor mínimo foi conseguido exactamente nestas últimas eleições autárquicas.
Nas eleições de 1982, que foi o 2º acto eleitoral em que a CDU ficou mais próxima do seu mínimo para atingir a maioria absoluta, mas ainda assim com uma margem consideravelmente satisfatória, acabou por obter o seu 3º melhor resultado de sempre em valores absolutos (3692). A oposição, no seu conjunto (PS + AD) obteve o seu melhor resultado de sempre até agora em Vendas Novas, também em valores absolutos (1203 + 2109 = 3312), relativamente próximo do conseguido em 2005 (2042 do PS + 1116 do PSD = 3158).
Em 2005, a perda de “votos neutros” por parte da CDU deveu-se essencialmente à variação negativa na sua votação global e menos à evolução das votações verificadas nos partidos da oposição. De facto, em 2005 a CDU conseguiu menos 350 votos que nas eleições anteriores (-10,8%) e menos 1287 votos (-30,8%) que o seu melhor resultado em eleições autárquicas locais para a Câmara Municipal, o que aconteceu no ano de 1985.
Por último, será de salientar que nas eleições autárquicas de 2005, a CDU obteve o seu mais baixo resultado de sempre em Vendas Novas, mas ainda assim largamente suficiente para manter a sua maioria absoluta em número de eleitos na Câmara Municipal.
Poderemos considerar que estes resultados indiciam algumas tendências? Tentaremos perceber isso mesmo em futuros textos sobre esse tema, aqui no “Atribulações Locais”.
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